União dos Juristas Católicos do Estado do Rio de Janeiro

NA CONTRAMÃO DA VIDA

A Democracia nos beneficia com esta prerrogativa de falarmos o que quisermos. Lamento que a Igreja não possa usar desta prerrogativa, mesmo quando fala apenas para os “católicos”. Se um budista, protestante, judeu ou espírita lê os escritos e pronunciamentos católicos, não deveria se incomodar com eles. Ninguém é obrigado a concordar com eles. Ninguém é obrigado a ser católico.

 

Se a Igreja condena o uso de preservativo (camisinha), por exemplo, os que detestam a Igreja como Instituição, deixem ao menos, que ela fale para os seus fiéis! Mas não. Ela “incomoda”, porque no fundo sabemos que ela quase sempre tem razão. Está no íntimo da nossa consciência. Camisinhas furam e então se engravida, contrai-se HIV etc. O correto não seria praticar o sexo responsável, com seu parceiro/a, numa união estável?

No Coliseu os cristãos eram devorados pelos leões para divertir os romanos. Saibam que hoje em dia, ainda morrem no mundo centenas de cristãos quando defendem os excluídos. (Irm. Dorothy lembram-se?).

O Movimento Pró-Vida vai para as portas das clínicas de aborto oferecer ajuda material e psicológica às mães e tentar salvar seus bebês. Seus participantes são ameaçados de morte pelos seguranças, às vezes apanham, mas eles já salvaram centenas de vidas! São moças e rapazes que se prontificam e se empenham nessa luta. Um testemunho maravilhoso que à mídia não interessa mostrar.

Li esta semana vários artigos de jornalistas e me entristeci ao ver como eles (e parte do povo também), andam insensíveis, na contramão da vida. Lutam pelo aborto, torcem por ele o tempo todo. Determinam quem deve ser eliminado e ponto final.

O governo e o Ministro da Saúde dizem que é problema de saúde pública. Matar crianças no ventre materno mudou de nome. Outros dizem que é problema da consciência de cada um. O mundo está cheio de consciências mal formadas, e aí? A Igreja não tem o direito nem de protestar?

Alguns se dizem favoráveis ao aborto apenas no caso de estupro; outros quando há má formação cerebral (anencéfalos, que têm cérebro sim, porque comem, se mexem, riem, urinam etc.); outros quando há risco para a mãe (hoje quase zero diante dos recursos da medicina); outros que cada mulher possa livremente optar por fazer ou não fazer o aborto (são as deusas que decidem sobre a criação). Subterfúgios! Todos querem mesmo o aborto “geral”. As feministas se dizem “donas dos seus corpos” (e são, mas não são donas dos corpos dos seus filhos). O governo que não tem condições de atender os velhos e nem os doentes, quer criar a fila do aborto no INSS. Muito legal!

O nosso Presidente, juntamente com a primeira dama, jogava preservativos da arquibancada do Sambódromo para os jovens transarem à vontade, com qualquer um que “pintasse” no bloco. Se o preservativo furasse e a moça engravidasse, o governo faria um aborto “legal”. Que vergonha essa imagem levada mundo afora! O governo que deveria promover para os jovens programas de incentivo à maternidade e paternidade responsáveis, planejamento familiar para os casados, incentiva a “sacanagem” (desculpem-me o termo, é a indignação). Foram gastos (dito na mídia), 40 milhões em preservativos e lubrificantes para os gays no carnaval. Enquanto isso, Santa Catarina espera ajuda para os desabrigados, escolas não podem funcionar etc., mas a Igreja não deve falar nada, nem para os seus fiéis! Não pode externar a sua opinião.

Mesmo as outras religiões cristãs que não aprovam o aborto não disseram nada. Deixaram os católicos apanharem sozinhos. Covardia pura.

A minha maior decepção é com os que se dizem “católicos” (mas na realidade não o são), como o médico que realizou o aborto da menina de Alagoinha e o nosso Presidente da República. Nesse crime hediondo de um padrasto covarde, os únicos condenados foram os dois bebês, com 4 meses de gestação, se mexendo no útero da mãe, retirados, me parece que não por uma cirurgia de cesariana (porque a menina teve alta na manhã seguinte) e sim aos pedaços, trucidados e triturados dentro do útero da mãe. Que horror! Se filmado poderia passar na TV como filme de terror para que as pessoas “acordassem”. Só o Bispo se indignou e comunicou à Imprensa a pena AUTOMÁTICA que o Código Canônico (da Igreja Católica) prevê para este pecado que clama aos céus, por ser o pior deles: uma mãe que sacrifica o seu filho inocente, sem possibilidade de defesa, sem poder ao menos gritar por socorro.

Balela! Isso é fanatismo das velhas da Igreja! Drama para comover o povo! São apenas embriões... (esperem mais uns meses e verão esses embriões se tornarem lindas criaturas de Deus chegando ao mundo!). Todos nós já fomos “apenas” um óvulo fecundado. A justiça reconhece uma pessoa pelo teste de D.N.A. ; pois bem: faça um teste de D.N.A. em um embrião e verifique que ele é uma pessoa totalmente definida, em um estágio inicial de vida. Um bebê poderia ser morto? E um dia antes de nascer, ele poderia ser morto? Vamos retrocedendo dia a dia. Qual foi o dia em que ele se tornou uma pessoa? Você já era você no dia em que nasceu? Pois saiba que você já era você desde o momento em que o óvulo da sua mãe foi fecundado!

Nenhum de nós se fosse fruto de um estupro gostaria de ter sido abortado.

E as leis duras para os bandidos? Quem dera... Cada vez mais abrandam, criam indultos, regimes semi-abertos, porque não querem investir em presídios decentes. Com esses 40 milhões construiriam vários.

Não foi o Bispo que excomungou as pessoas envolvidas. Essa excomunhão é automática para quem participa direta ou indiretamente de um aborto. Na minha visão, muitos políticos e governantes já estão excomungados (em pecado grave), há muito tempo. Só falta o Presidente assinar a lei que permitirá o aborto no Brasil para que também faça parte dessa “lista”. Se ele realmente fosse católico, não se sentiria “confortável” sabendo que nem a unção dos enfermos (antigamente chamada de extrema-unção) poderia receber se não se arrependesse e confessasse seu pecado ao Bispo (padre não tem poder de perdoar pecado de aborto). Quanto fanatismo da Igreja! Como ela está na idade da pedra! Será que os que querem a morte são os moderninhos?

O Bispo que já é velho falou muito bem: “Um Holocausto silencioso”! Hitler matou 6 milhões de judeus, mas acabou a matança. No mundo matam-se 60 milhões de crianças no ventre das mães por ano e no Brasil 1 milhão por ano! Alguém precisa gritar! Socorro! E que seja a igreja, porque Cristo derramou o seu sangue na cruz, por todos (inclusive e principalmente pelos excluídos). Crença dos católicos.

É dramático esse caso da menina? Um drama para ela e sua família? Sim. Mas o trauma do aborto não terá sido pior? (a menina sabia que iriam tirar seus bebês e disse na sua inocência que a irmã a ajudaria a cuidar deles). Os médicos dizem que ela não sabia de nada (acho que sabia ou então a imprensa inventou o que ela disse). E o risco? E o risco de uma ruptura uterina numa curetagem? E uma hemorragia? E um problema com o anestésico? Não contam? Só uma cesariana daqui a dois meses seria um risco para ela? Ela estava bem, sem risco IMEDIATO de morte. Balela! Queriam o aborto!

Ouvi o médico e a enfermeira e refleti no que disseram: ”Jesus quer a misericórdia”. A mesma que eles tiveram para com os bebês? “Não é essa Igreja que o povo quer”. Quer uma que aprove o aborto? Esperem sentados. O chavão: “E se fosse sua filha?” Que cada um seja fiel ao que crê e aja com coerência na sua vida. Não se trata de “faça o que eu digo e não, o que eu faço.”

A opção pela morte desses bebês foi a solução encontrada para o caso.

Enquanto isso, na República do Peru, outra menina de também 9 anos de idade, vítima de estupro, deu à luz a um bebê de 2,5kg, no dia 07.03.2009 (sábado passado), com toda a assistência do governo e da Igreja (a única que ajuda nessas horas) e passa bem, obrigada. A menina é a mãe mais jovem do Peru. A mãe precoce receberá ajuda psicológica, e seu filho terá toda assistência de que precisar, ressaltou o ministro Vallejos, após visitá-la. "Ela permanecerá no hospital todo o tempo que for necessário até que seu filho e ela estejam em perfeitas condições", declarou o ministro. No Brasil, na mesma situação, buscou-se a "legalidade da morte" como muitos justificam, esquecendo-se do apoio integral à menina e seus bebês...

Vivam os peruanos! “Viva” a cultura da morte que o Brasil está implantando!

Garanto que se fossem duas baleias encalhadas numa praia, centenas de pessoas estariam em volta tentando salvá-las. Esta semana vi na internet que salvaram uma égua que caiu num poço (quanta gente envolvida no salvamento!), mas salvar dois seres humanos, criados à semelhança de Deus? Nem pensar... Isto é coisa de católicos alienados e de uma Igreja retrógada.

A Igreja não impede e nem pode impedir as ações do governo, mas pode e tem o dever de defender a vida desde a sua concepção até a morte natural. Como já disse acima, Cristo derramou o Seu sangue na cruz até a última gota por todos e principalmente pelos que praticam o aborto e outras barbáries. Para os que precisam se converter (crença católica).

Estamos à espera da Páscoa. Que o Cristo ressuscitado nos traga a paz que todos queremos. Sem mortes de inocentes.


Feliz Páscoa! (para os que crêem no Cristo Ressuscitado).


Helena F. B. Macedo