União dos Juristas Católicos do Estado do Rio de Janeiro

A VERDADE SOBRE AS CÉLULAS EMBRIONÁRIAS CONTRA AS MENTIRAS DIVULGADAS

Dra. Alice Teixeira Ferreira

Formada em Medicina, pela Escola Paulista de Medicina, em 1967.
Doutora em Biologia Molecular pela Escola Paulista de Medicina em 1971.
Pós-Doutorado na Research Division of Cleveland Clinic Foundation, Cleveland, Ohio, Estados Unidos em 1972.
Livre Docente em Biofísica, pela Universidade Federal de São Paulo-EPM em 1996.

 

Eis a lista de mentiras que divulgam:

1)A Igreja é obscurantista e impede o desenvolvimento da ciência  :

A verdade é que querem acabar com a única instituição que defende o ser humano desde o inicio de sua vida que se dá na concepção até sua morte natural.

Que o início da vida humana se dá quando o espermatozóide fecunda o óvulo já foi demonstrado em 1827 por Karl Ernst van Baer. Não é dogma da Igreja, pois somente com o acúmulo de evidencias sobre este FATO é que o Papa Pio IX em 1869 propôs que era dever da Igreja defender o embrião humano desde a concepção. Atualmente os embriologistas acrescentaram mais evidencias de que a fertilização é o inicio do inicio: Dra Magdalena Zernica-Goetz mostrou, em 2002, que a primeira divisão do zigoto não se dá por acaso, “ela já define o nosso destino”.

Nature Reviews Molecular Cell Biology, (2005), vol.6, (12): 919-928.

Embriologia e Karl Ernst von Baer na Wipedia.

Embriologia Clínica Moore e Persaud.

Los quince primeros dias de uma vida humana. Natalia López Moratalla e Maria J. Iraburu Elizalde. EUNSA.

2) as células embrionárias humanas são pluripotentes e vão salvar vidas.

A verdade é que estas células não apresentam divisão assimétrica como as células-tronco. Elas são imortalizadas e são semelhantes às células cancerígenas; multiplicam-se rapidamente e quando se diferenciam  logo morrem, não se renovando. Elas não se fixam nos nichos das células-tronco adultas presentes no organismo. Os corpos embrioides injetados são rejeitados imunologicamente e se injetados em animais imunossuprimidos geram câncer de caráter embrinário. Por isto vc não dispõe do exemplo de uma vida, mesmo de roedores, que tenha sido salva com estas células. Como diz a Dra. Lenise Garcia: “Que vidão terão estas células extraídas do embrião humano: viverão como câncer num camundongo”.

JL Sherley. Cell Proliferation, (2008), vol.41, Supplement1: 57-64.

3) as células embrionárias pode se transformar em todos os tecidos.

A verdade é que vc assume isto baseado no desenvolvimento embrionário, mas tal fato não foi demonstrado até hoje por problema metodológico: não existe uma tecnologia que permite distinguir todos os tipos de  células do organismo humano. Eu trabalho com culturas de células há 20 anos e enfrento este

problema corriqueiramente.

CP McGuckin e N Forraz. . Cell Proliferation, (2008), vol.41, Supplement1: 31-40

Neste artigo McGuckin demonstra também a pluripotência das células-tronco do sangue de cordão conseguindo observar a sua transformação em células nervosas. Fato também demonstrado por Prof. Dr. Paul Sanberg.

PNAS, (2007), vol.104: 11869-11870.

4)as células embrionárias têm como fonte única o embrião que necessita ser estourado para se obter sua massa celular interna.

A verdade é que existem outras fontes destas células: o líquido amniótico, as espermatogônias e oogônias que a PrimeCell consegue reverter para o estado embrionário e agora as iPSCs desenvolvidas por Dr. Yamanaka. Outra verdade é que este cientista, que eu conheço pessoalmente, diz que as informações necessárias para obter as iPSCs foram obtidas de células embrionárias de CAMUNDONGO. Numa entrevista ele relatou que

“Numa clínica de reprodução assistida, ao observar num microscópio um embrião humano, tive mudada a minha carreira científica.

Quando vi o embrião, de repente compreendi que havia muito pouca diferença entre ele e minhas filhas. Eu pensei, nós não podemos destruir embriões humanos em pesquisa. Tem de haver uma outra maneira de estudar as células embrionárias”.

The New York Times, Dec 11,2007

Dr. Yamanaka obteve as informações sobre os fatores de transcrição que regulam a multiplicação e diferenciação de células-tronco embrionárias estudando embriões de camundongos.

S. Yamanaka. Cell Proliferation, (2008), vol.41, Supplement1: 51-56.

No mesmo mes, foi apresentada uma significativa melhora no método de obtenção das células iPC, num encontro sobre células-tronco, em Nova York, por John Sundsmo, presidente da PrimeGen, Irvine, CA, EUA. De acordo com Sundsmo células de pele, de rim e retina incorporaram partículas de carborno que transportavam em suas superfícies proteínas responsáveis pela transformação destas células em células pluripotentes, mais rapidamente e com eficiência 1000 vezes maior, sem ricos de produzirem cânceres. O processo está sendo patenteado.

Peter Aldhous NewScientist.com news service 27 February 2008

Interessante que esta notícia tão importante não foi divulgada entre nós, nem pelos meios de comunicação científicos.

5) embriões humanos congelados por mais de 3 anos vão para o lixo pois não geram uma pessoa.

A verdade é que tem embrião humano congelado por até 13 anos que resultou numa criança saudável. São vários os exemplos que podem ser encontrados em:

http://www.youtube.com/watch?v=Pf9dI3UdWq0

Ao descongelar já é possível identificar se as células estão boas. Se estiverem vacuolizadas estão em processo de morte e não serve para nada, pois não se obtém culturade células mortas.

6) querem comparar o embrião na fase de blastocisto com o paciente descerebrado do qual se colhe os órgão para transplante.

A verdade é que o embrião contem o programa completo para gerar não só seu cérebro como todos os demais órgãos, o que não ocorre com a morte cerebral que é irreversível.

Dra. Alice Teixeira Ferreira, médica formada na Escola Paulista de Medicina em 1967, Doutorada em Biologia Molecular em 1971, pos-doc na Research Division da Cleveland Clinic Foundation, EUA, Livre Docente da UNIFESP/EPM.