União dos Juristas Católicos do Estado do Rio de Janeiro

Eleições e promoção de uma cultura de respeito integral à vida

Paulo Silveira Martins Leão Junior

 

Aproximam-se as eleições de 1º de outubro de 2006, importantíssimas para os destinos do povo e da nação brasileira. A necessidade de superar graves fossos históricos na repartição da renda nacional, dos benefícios educacionais e culturais não afasta, antes tem como pressuposto uma questão ética e jurídica primordial: a dignidade da pessoa humana, independentemente de quaisquer circunstâncias correlatas, como idade e saúde.

 

A Constituição Federal de 1988, é sempre bom lembrar, tem como um de seus fundamentos a “dignidade da pessoa humana” (art. 1º, III); como um de seus objetivos fundamentais, “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art. 3º, IV); como direito e garantia fundamental, “a inviolabilidade do direito à vida”.

Ocorre que interesses internacionais poderosíssimos, como denunciou o Papa João Paulo II em seu livro “Memórias e Identidade” (Editora Objetiva, pp. 58 e 59), atuam de variadas formas para a implantação de uma “cultura da morte”, tendente ao totalitarismo, ainda que dissimulada em aparências e procedimentos “democráticos”: instrumentalização do ser humano e relativização de sua dignidade e valor intrínsecos, destruição da família, divórcios, abortos, drogas, promiscuidade, etc. Trata-se da antítese da “cultura da vida” ou “civilização do amor”, de que João Paulo II foi grande arauto, seguido pelo Papa Bento XVI, com seu providencial brilho intelectual e intensa vida espiritual.

Muitos daqueles que atuam na promoção da cultura da morte, calam-se e silenciam nas vésperas das eleições, querendo ocultar suas ações e atitudes, tanto no Legislativo como no Executivo, pois sabem que o povo brasileiro em sua esmagadora maioria é respeitador da família, dos inocentes, dos indefesos e dos doentes, como é o caso daquelas crianças que já existem no seio de suas mães e cuja vida é ameaçada pelo aborto, por vezes sob a alegação de “defeitos”, graves ou não, e às vezes simplesmente por serem “indesejados” e não ter em quem as defenda, ou mesmo, por falta de auxílio e apoio, tanto afetivo como material, a suas mães e famílias.

O momento atual é privilegiado no caminho de conscientização, que deve ser permanente e ininterrupto, na construção de uma sociedade justa, livre, solidária e fraterna, que evidentemente, para poder manter tais características, não pode admitir o assassinato (“legal”) de seres humanos inocentes e indefesos no início de sua existência, para usar expressão de que se valeu o notável cientista Jérôme Lejeune (descobridor da causa da “Síndrome de Down”) para definir o aborto provocado.

É mais do que tempo que os candidatos aos cargos do Executivo e do Legislativo, se comprometam com programas orgânicos e concatenados a nível nacional, estadual e municipal, que promovam a vida em sua integralidade tanto em perspectiva do tempo presente, como de transcendência, sem excluir ninguém, sem considerar aquelas nossas irmãs e irmãos já existentes e por nascer como algo pior que animais, que podem ser destruídos sem dó nem piedade, mediante utilização dos métodos mais cruéis e perversos, como são os usados para a prática do aborto provocado.

Votemos em candidatos comprometidos com a vida de todos e vida em abundância, investindo na educação, aí incluída a educação religiosa confessional das diversas religiões no ensino público, para aqueles alunos que façam a opção respectiva; em saneamento básico e na saúde; na qualidade de vida; no estabelecimento de condições propícias para um desenvolvimento sustentado, e que não apóiem, sob qualquer forma ou pretexto, a matança de crianças inocentes no início de sua vidas e existência, seja no seio de suas mães, seja em tubos de laboratórios, onde nunca deveriam estar, sob alegação de “experimentação científica” (a exemplo da que se faz com ratos e sob o título de “pesquisa com células tronco embrionárias humanas”) com falsas promessas.

O Brasil do presente e do futuro depende de nós, do exercício da nossa cidadania, do nosso voto! E da cobrança e acompanhamento da atuação daqueles em quem votamos!


Paulo Silveira Martins Leão Junior
Presidente da União dos Juristas Católicos do Rio de Janeiro - UJUCARJ