União dos Juristas Católicos do Estado do Rio de Janeiro

Artigo publicado no Suplemento Cátedra do Jornal “Testemunho de Fé”

Edição Outubro 2006

 

FÉ E RAZÃO

Certa ocasião, quando exercíamos o cargo de Diretor Geral do Sistema Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro, no final da década de 70, em um dos encontros com que fomos honrados por Sua Eminência o Cardeal Emérito Dom Eugenio de Araujo Salles, tivemos oportunidade de ouvir um de seus primorosos conselhos, segundo o qual o cristão deveria dar o testemunho de sua fé máxima, o que temos procurado cumprir, apesar de nossas imperfeições.

Aliás, podemos aquilatar o valor do testemunho da Fé, bastando que atentemos para a obra dos 12 Apóstolos escolhidos por Jesus Cristo, os quais deram início à organização e evolução da Igreja, através da comunidade primitiva, seguindo-se a disseminação do Evangelho, com a consolidação das comunidades cristãs.

Não se têm noticias de que Jesus nos tenha deixado qualquer escrito. Em conseqüência, os referidos Apóstolos não apenas O viram ensinar, mas também O viram rezar, curar, e celebrar a Santa Ceia, durante a qual foi instituída a Eucaristia, ao proferir as célebres palavras: “Tomai e comei, isto é o meu corpo. Tomai e bebei, isto é o meu sangue. Fazei isto em memória de mim”, cumprindo a promessa que Ele fez, segundo Mateus, de que estaria sempre conosco, até o fim dos tempos.

Saliente-se que o Santo Padre, o Papa Bento XVI, em sua homilia, proferida no dia 07/05/05, na Basílica de São João Latrão, declarou que, “Graças à Eucaristia, os Santos viveram levando o amor de Deus ao mundo de maneiras e formas sempre novas.”

Portanto, o sacramento da Eucaristia é um sagrado mistério que excede a nossa inteligência e nos obriga ao mais puro abandono à palavra de Deus, pois é através da Fé que acreditamos que o Senhor está presente nela, a qual nos deve levar a fazer o que Ele disser.

Por outro lado, segundo Tiago, a “Fé sem obras é morta”, levando-nos a ter que proceder como fizeram os Apóstolos, dando continuidade às palavras de Cristo, confiando e crendo nEle, ilimitadamente, através da Fé.

Assim, Fé é a crença em Deus e em seus ensinamentos, que precisa ser demonstrada através dos nossos testemunhos, não apenas na Igreja mas em todas as nossas atividades como seres humanos.

Já a razão é limitada, por mais poderoso que possa ser o raciocínio das pessoas, pois ela não explica tudo, exatamente porque o conhecimento humano, apesar dos seus constantes avanços, é sempre restrito.

Embora Deus nos tenha dado a razão e o livre arbítrio exatamente para que pudéssemos e devêssemos usá-los, não podemos descurar da crença e confiança n’Ele, através da Fé.

 

FRANCISCO MASSÁ FILHO

1º Secretário da União dos Juristas Católicos do Rio de Janeiro